domingo, 18 de março de 2012

Tempo e Coração




A previsão do meu tempo ficará ao sabor dos acontecimentos. Trago no peito um lado obscurecido pelo mormaço. A minha meteorologia apresenta num ano, dias de tempo chuvoso, alguns de muito sol. Mormente, se procurarem em mim algumas tardes alegres nem sempre vão encontrar. Haverá pores-do-sol?  Existem sim, algumas manhãs alvissareiras onde escuto o canto do canarinho comemorando a vida. Todo dia ele faz a sua parte. Revoluteia dentro da gaiolinha, olhinhos buliçosos e encantadores. Preso, solta a alma alada no seu canto feliz que esvoaça bendizendo a natureza, roçagando de leve o meu coração.

  Texto escrito em 21.06.2006, quando Joãozinho chegou.  O quintal sem a presença dele perdeu a alma.
           
                  PalasAthena, 13 de março de 201

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vendaval





Dentro do meu peito, os ventos sopram em rajadas roucas e sibilantes. Sou um vendaval de paixões. Apaixonada
pelos dias cheios de brilho e pelas noites enluaradas da minha
terra, pelas estrelas acenando na abundância de nosso céu,
pelas flores e pelos animais, sobretudo pela hospitalidade divina.
Anuncio em alto e bom tom para não iludir as expectativas de
ninguém: Não me entrego fácil, mudo de proceder, ponho de
lado as angústias, solto minhas poesias ao vento, invento,
transformo, vivo e procuro ser feliz. Mas sem intenção de
esconder a humildade que considero lição essencial no
aprendizado da vida.

         PalasAthena, 05 de março de 2012.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Meu sentir





Há dias em que meu coração é um voejar cantante que se estende por intermináveis vergéis floridos;

Vez por outra, é um sacolejar de pedras numa carroça que segue lenta e preguiçosa por
um caminho de pó;

Muita vez, meu coração é um dobre constante de sinos desritmados.

De vez em vez, um mar esparramado em calmaria...

Repentinamente... maré cheia, as águas erguendo-se novamente em altivas e desenfreadas ondas.

Fluindo e refluindo num entrechocar-se de alvadia espumarada.

Um mar picado sob um céu empalecido.

De quando em quando, o meu coração é um céu sereno.

É somente coração. 


PalasAthena

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ópera da Morte





Vi uma expressão de compungida tristeza naqueles olhos que eu amo. Trazia um desolado e úmido brilho, um ar desconsolado e inquisidor, frente ao qual não elevei o meu olhar por que não teria resposta para as questões sobre a morte que a mim foram direcionadas. Pensei nesse carrasco que nos separa das pessoas a quem amamos. Por outro lado, ela pode aliviar um sofrimento doloroso e incurável quando abrevia a vida de quem já muito padece. A ópera da morte, é assim que me refiro  à ela, aguarda a todos com impaciência, com seu canto lúgubre. Entra-nos constantemente o medo no coração, como uma brasa inextinguível a nos queimar. Afundados na noite, somos lutadores na inquietante guerra contra algo que nos tira o sono todas as madrugadas. Lutamos contra  a estressante insônia. Vencido o combate numa noite, logo teremos que combatê-lo na noite seguinte.

PalasAthena, texto escrito em   07.08.2007

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Verão de água doce





Há por todo o lado vibrantes frêmitos de alegria. Aqui e além espreitam olhares e sorrisos intensos, vivos, num vozerio espalhado pelo deck da piscina, iluminado de sol e calor. Uma vertigem de pessoas inebriadas por todas as seduções que o verão pode oferecer, um ir e vir de bebidas e salgadinhos, um vapor de perfumes de bloqueadores solares e a embriaguez das imaginações meio enlouquecidas pela iminência do carnaval.


Palas Athena, 18.02.2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um jeito de dizer as coisas




Tenho que encontrar sempre  um caminho, uma vereda, um escape, um modo especial de contar tudo sem revelar muito do que está escondido nas sendas do meu coração.
Ouço o murmúrio da chuva em pingos retumbantes . A natureza embriagou-se  novamente de nuvens brancas nada amigáveis. Tudo acontecendo nesta desar
razoada segunda feira. Estou no limiar de minha paciência olhando esse tempo circunspecto.
Onde está o esplendor do sol?

                                                   PalasAthena, 13.02.2012
  

Visão Poética





Entre as verdes águas e o céu azul, os meus problemas nem sequer
existem. Entretanto a felicidade, por vezes, é apenas uma ideia longínqua, uma nuvem levada
pela poeira do vento, uma recordação. Distancia-se de nós, torna-se uma linha delgada e
distante. Como seria bom se a minha alma descobrisse todos os segredos do mundo para
evitar as andanças pelos campos de batalha.  Uma vontade de voltar para a tagarelice das
ondas  que me compreendem tão bem!


Palas Athena, 12.02.2012


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pássaro aprisionado



O ar seco e cheiroso de um verão maduro causa-me inexprimível vontade de ir ao encontro de mim, de me encontrar e me perder outra  e outra vez, sempre na direção contrária, em outro rumo. O dia escapou da chuva e eu fiquei com vontade de chupar manga e nadar no riozinho. Mas que ninguém me interprete mal. A chuva de janeiro mais me parece uma peste que devora minha alma. Um desastre sem fim... Meu coração, pássaro aprisionado, palpitava dentro do peito. Quando  espiei a natureza de manhã, o sol voluptuoso se estendia pelo quintal com indolente ardor. Senti o seu beijo quente em meus  ombros, suas ofuscantes luzes trouxeram esplêndida magia ao meu espírito. Parecia uma lanterna iluminando o céu. Quero mergulhar em uma alegre embriaguez nesse mês de fevereiro. Vou abeberar-me do calor do sol. Um brinde à Aurora dos dedos de rosa!

                    PalasAthena, 25 de janeiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dias de glória!



Jasmim-árabe, Jasminum sambac, Nyctanthes sambac, , bogari, jasmim-sambac, mosqueta

Quero a vida como num brilho de festa! Em nosso jardim  haverá um alvor deslumbrante. Buquês  de botões perfumados de rosas, um cheiro balsâmico de dálias, hortênsias azuis e róseas, jasmins. Em 2012 os sonhos não serão deixados para trás. Vou me agarrar nos bons pensamentos, vou me cercar de pessoas iluminadas. Acima de tudo, guardar um pedaço de céu bem azul mesmo que as sombras queiram empanar o meu sol interior. Vou procurar todos os reflexos rubros do poente que irão enfeitar as noites promissoras de felicidade. Estou contando com os belos entardeceres de domingo para ver crescer outra florzinha melindrosa que em breve, com sua garrulice virá se juntar ao nosso eldorado: Yasmin !


PalasAthena, 23 de janeiro de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Hecatombe de Ilusões





Já não me contento com pouco no que diz respeito à literatura. Após a leitura do livro Ilusões Perdidas, tradução da obra grandiosa do gênio Honoré de Balzac, fui tomada pela sensação de gula literária, passei aos dois volumes de outra tradução do mesmo título e autor, somente para permanecer maior tempo na mesma história delirante que arrebatou minha alma do inferno deste verão dantesco, que me leva a desistir de inúmeros passeios. Quando terminar a leitura de ambos, já terei fruído 1.165 páginas desse romance. Mas não pensem que estarei satisfeita, pois pretendo continuar por esse bom caminho que compõe a Comédia Humana. A obra é longa, mas não é o bastante para o meu espírito cioso de outros títulos do autor. Hoje é véspera de Natal e a vereda literária em que me encontro obriga-me a prosseguir na direção de um vale do qual não se pode adivinhar inicialmente suas verdadeiras dimensões. É uma estrada que se alarga e enriquece quem por ela se aventurar. Vai dar numa montanha que o olho julgava fácil de ser transposta, mas que vai exigir toda uma vida de caminhada.

PalasAthena, 24.12.2011