quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os meus olhos esbraseados


Sinto uma despedida no peito. Vem do fundo da alma uma agulhada de melancolia.
Começa a se esparramar por dentro da gente como tinta que cai no papel e escorre até
manchar  tudo a  sua volta. Algumas lágrimas inquietas se precipitam dos meus olhos
esbraseados. Finjo um sorriso  forçado, sorumbático. O meu gesto  mais parece uma tentativa
de sofrear  a angústia que brota do meu coração. É apenas um disfarce da desventura
clandestina que vez por outra se apodera  de mim.

 Escrito em 10.02.2006.  PalasAthenaA_j

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

No silêncio de mim


Derramo minhas emoções em papéis.
Sem temas pré-estabelecidos nem hora determinada.
Com a voz do coração.
É o meu jeito de ficar só.
Esparramo-me no silêncio de mim.
As palavras são véus cobrindo os meus pensamentos.
Vão-se formando silenciosas.
Depois adquirem autonomia.
Li num livro traduzido de Proust,  o seguinte:” Há uma linda espécie de silêncio, não é?
Para os corações feridos como o meu, um romancista pretende que convêm somente a
sombra e o silêncio. Chega um momento na vida em que os olhos fatigados já não suportam
senão  uma luz, a que uma bela noite como esta  prepara e destila com a escuridão, em que os
ouvidos  só podem escutar a música tocada pelo luar na flauta do silêncio”
Essas palavras só podem vir de um  homem movido pelas paixões.
Ademais hoje não está  uma noite enluarada. O tempo não nos presenteou com um ocaso
rubro e dourado,  então tomara que esse frio não dure muito. E tirando as horas  necessárias à
solidão, prefiro  um ambiente sonoro e cheio de luzes.
                       
                                                            PalasAthenaA_j

domingo, 21 de agosto de 2011

O shortinho é o mesmo


 Meu filho, Luciano, em 1978 aos 4 anos de idade.





Pietra, minha neta, hoje em dia. Ela encontrou o shortinho do tio que eu havia guardado.

                                                                     Pode?

                                                                            PalasAthenaA_j

sábado, 20 de agosto de 2011

Mágoa





Confesso que ela existe. Vive embuçada, embruscada, margeando os meus litorais
Aparece de quando em vez chorando desditas próprias
Aproximando-se com intimidade, rastejando aos meus pés
Torna-se tempestade se erguendo e desperta do tempo o meu coração juvenil
Confundido e latejante, naufragando dentro do peito
Quando a tempestade se esvai, ficam espalhados os destroços desse naufrágio
Turvando a minha direção.



                                           PalasAthenaA_j

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Haicai

,




  FOLHA


Minha alma é o remanso
Onde desfolho a tristeza
Sem nenhum descanso.






No pranto das noites,
As águas das minhas mágoas
Desfolham açoites.


Nas noites escuras,
Meus olhos desfolham pranto:
Minhas amarguras.



PalasAthenaA_J








quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um pôr de sol









Na claridade dos raios solares de um pôr de sol  eu me consumi inteira.
Ó esconderijo dos meus sonhos!
Ninguém mais sentiu  como eu  o entardecer  de ouro.
Ninguém mais do que eu.
Ó ares macios da tarde! Faixa purpurina no alto da serra.
Reflexos do ocaso  estendido, vermelhidão , rubor de fogo que me traz prazer poético.
De pé, eu olho enceguecida para os tons de púrpura.
Meus pensamentos longe de mim voando com o meu coração.




                              foto tirada no dia 16.08.2011 por PalasAthenaA_j


Antes não tivesse voltado


Voltei. E por um instante (improvável) julguei que me receberias feliz.
Mas soube assim que te avistei que me enganara.
Não recebi beijo nem abraço.
Levei certa repreensão por ficar ausente tanto tempo.

As pessoas deveriam alegrar-se com quem volta.
Se tu tivesses sido mais receptiva, quem sabe eu teria voltado mais vezes...

O amor é oferecido, não se deve exigi-lo.
Trata de alegrar-te com minhas voltas.
Não me afastes com tua austeridade e frieza.
Quanto mais insistires em querer me controlar, mais eu me distancio.

Fica então com aqueles que julgas amar-te mais do que eu .
Ninguém te ama e sofre por ti há mais tempo.
Tu nem ao menos me conheces.
Não tinhas muita tolerância comigo.

Mas eu te amo apesar de tudo.
Sabes por que não te procurei antes?
Tive medo. E meus receios se confirmaram.
Tu me censuraste como sempre o fizera.

Quando eu chegar, recebe-me com amor.
Chegarei mais vezes.
Sentirei mais felicidade, menos amargura.
Não sei se ainda dá tempo...

Perdoa-me.
A vida ensinou-me a dar Amor.
Mas preciso (e muito) também recebê-lo.

Cansei de tanto esperar pelo teu Amor.
E aprendi a viver sozinha...


                                  PalasathenaA_j

terça-feira, 16 de agosto de 2011

AMIGO






Toda manhã lembranças sempre vêm
E hão de vir sempre até a minha morte.
Bem que eu quisera ter tido outra sorte,
Ter ido muito longe e mais além.




Mas para ser feliz é que se tem
Amigo... Mas amigo que se importe
Com a defesa de quem não é forte,
Com a pobreza que nos sobrevém






Amigo é o anjo que oferece a mão,
É o braço que me prende no perigo,
É aquele que diz sim ao dizer não.






 
É o meu esconderijo, o meu abrigo,
Abraço em que eu recebo o seu perdão
E me leva chorando ao meu jazigo.



 




PalasAthenaA_j

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O meu pé de laranja lima

Quando eu era ainda criança descobri a história do “Meu pé de laranja lima”. O meu pai comprara a coleção do José Mauro de Vasconcelos e eu me encontrei nos contos desse autor. O meu coração nessa época já sediava o gosto pelos desenganos e infortúnios. Já havia se tornado residência fixa da melancolia. Sempre tive lá dentro do peito uma inclinação às tristezas. Uma coisinha diferente. Uma ponta de não sei o quê. Um nada que de uma hora para outra se transformava numa avalanche. Uma torrente avassaladora num turbilhão de pensamentos desencontrados que descia encosta abaixo. Então vinha aquele silêncio meio camuflado que virava uma falta de vontade, pequena no início, pequeníssima...como uma voz de um tom mais baixo, não chegando a ser um sussurro. E eu assumia um jeito fechado, talvez preocupado, distante, calado, sem sorrisos. Nenhum assunto. Uma solidão dentro do peito. Nesse aspecto eu me encontrava com aquele menino, o Zezé, protagonista do conto. Os meus infortúnios interiores se assemelhavam aos dele. E eu não conseguia parar de chorar.






PalasAthenaA_j



http://youtu.be/SVti-gdJ7w4

PAI

Um pai muito amado, um pai de atitude, um pai que tem um coração enorme, um pai que se doa, que perdoa, que tem  sensibilidade. Uma pessoa íntegra dentro dos seus princípios. Deus continue abençoando o

seu jeito amigo de ser. Nós o amamos por ser o que é.





                                                      foto de PalasAthenaA_j, tirada no dia dos pais, 14.08.2010