segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O meu pé de laranja lima

Quando eu era ainda criança descobri a história do “Meu pé de laranja lima”. O meu pai comprara a coleção do José Mauro de Vasconcelos e eu me encontrei nos contos desse autor. O meu coração nessa época já sediava o gosto pelos desenganos e infortúnios. Já havia se tornado residência fixa da melancolia. Sempre tive lá dentro do peito uma inclinação às tristezas. Uma coisinha diferente. Uma ponta de não sei o quê. Um nada que de uma hora para outra se transformava numa avalanche. Uma torrente avassaladora num turbilhão de pensamentos desencontrados que descia encosta abaixo. Então vinha aquele silêncio meio camuflado que virava uma falta de vontade, pequena no início, pequeníssima...como uma voz de um tom mais baixo, não chegando a ser um sussurro. E eu assumia um jeito fechado, talvez preocupado, distante, calado, sem sorrisos. Nenhum assunto. Uma solidão dentro do peito. Nesse aspecto eu me encontrava com aquele menino, o Zezé, protagonista do conto. Os meus infortúnios interiores se assemelhavam aos dele. E eu não conseguia parar de chorar.






PalasAthenaA_j



http://youtu.be/SVti-gdJ7w4

PAI

Um pai muito amado, um pai de atitude, um pai que tem um coração enorme, um pai que se doa, que perdoa, que tem  sensibilidade. Uma pessoa íntegra dentro dos seus princípios. Deus continue abençoando o

seu jeito amigo de ser. Nós o amamos por ser o que é.





                                                      foto de PalasAthenaA_j, tirada no dia dos pais, 14.08.2010


domingo, 14 de agosto de 2011

Céu de Beijos



Eu sou feliz porque eu sou amada
E sendo assim eu sei que tenho tudo.
Minh’alma é de esperanças salpicada,
Guardada num estojo de veludo.


Eu inundei de lágrimas a estrada
Que percorri com o coração sisudo.
No caminho galguei tão alta escada
E fui me ver no topo mais agudo.


E quando estava tão perto do céu
Eu encontrei um anjo tão perdido
Que me serviu um cálice de mel.


Bebi de sua taça, e os meus desejos
Ao anjo os revelei que, comovido,
Abraçou-me num céu de longos beijos.






                                           PalasAthenaA_j

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O luar

 Trecho do livro No caminho de Swann, de Marcel Proust (clássicos Abril Coleções, trad. por

Fernando Py) o persongem cita este verso de Paul Desjardins  Os bosques já estão sombrios, o céu

é ainda azul...



 Depois o comentário:  Que o céu seja sempre azul para você; e até na hora que me chega agora, 
 
em que a noite desce rápido, você se consolará como faço eu, olhando para o  lado do céu.

                                                        ...


Anoitecia. Fui lá fora dar uma espiada no tempo. Fazia luar e a temperatura era morna. Ao fixar os

olhos no horizonte percebi o quanto a Lua é tão magnífica! Enquanto a humanidade  está à beira

do caos, ela, lá de cima parecia sugerir  por que você não olha para o lado do céu ?









                                  PalasAthenaA_j

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

DOCE




Abelhinha revoeja em meu redor.
Reviro-me inteira.
Parece brincadeira.
Eu puxo a cadeira e reclamo.
Eu clamo por socorro.
Ó amor! Eu chamo, eu corro
- Meu bem, assim eu morro!
(Não olho nem de lado!)
O meu amor me olha sossegado
E fita-me parado, enquanto diz:
- A abelhinha quer o doce...
Olho para o céu... à procura do doce... Mas ele acrescenta:
- O doce é o mel...
dos seus olhos cor de mel.





Ah, eu fico sem jeito...
E, enquanto ele fala, reparo:
A abelhinha pousou na sua boca
E suga docemente o mel.
Sorrio para ele, enquanto penso:
“O mel é o dos seus lábios, meu amor”






 PalasAthenaA_j  

sábado, 6 de agosto de 2011

Conforto


Entrei numa loja à procura de um agasalho. Sentia frio. Mas nada me pareceu como

um abraço sincero.  Tomei um café com creme  adocicado para tentar me aquecer.

Às vezes, procuramos abrigo e não o encontramos numa peça de vestir ou numa

bebida quente. Talvez seja por que estamos procurando alguma coisa bem maior,

um contato físico, um olhar, um sorriso, um tom de voz de criança.

Não é o frio que vem de fora. É o que atravessa tudo e nos atinge a alma.
É o frio no coração.

                                                            
                                 PalasAthenaA_j

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Estrelinha



Você é a minha criança que cresceu,
É o filho, a filha, são todos os filhos do mundo
Numa só pessoinha

É o bater de asas de uma borboleta
Água para minha sede
Alimento para o meu coração
Sopro de vida para a morte de toda ilusão

Você é quem surge para acabar com os meus medos
É quem me ama e jamais se esquece de mim
E me coloca sempre em primeiro lugar

Aconchego para meus cansaços
Face jovem e bela do meu ser,
Música e poesia

Vento espraiado nos meus cabelos
Manhã luminescente, anilada, safirina,
Que se cobaltiza, se opaliza, desmaiando o azul do céu.

Estrela numa noite veludosa:
Continue sempre a brilhar,
Em minha vida... Estrelinha minha!

 PalasAthenaA_j

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CORAÇÃO IRREQUIETO



Há dias em que meu coração é um voejar cantante que se estende por intermináveis vergéis floridos;


 Vez por outra, é um sacolejar de pedras numa carroça que segue lenta e preguiçosa por um caminho de pó;
  

  

Muita vez, meu coração é um dobre constante de sinos desritmados.

De vez em vez, um mar esparramado em calmaria...


Repentinamente... maré cheia, as águas soerguendo-se altaneiras em desenfreadas ondas...

Fluindo e refluindo num entrechocar-se de alvadia espumarada.

Um mar picado sob um céu empalecido.

De quando em quando, o meu coração é um oceano esverdinhando o dia.





No mais, é somente coração.







                PalasAthenaA_j  poema escrito no conjunto de textos MEU SENTIR, agosto de 2007.