terça-feira, 28 de abril de 2026

MANTIQUEIRA


 

Eu via essa muralha azul brilhante,

Misto de árvores, de água e de neblina,

Exposta no horizonte, deslumbrante,

Coisa rara aos meus olhos de menina.

 

Na Boa Vista eu me extasiava! E um dia

Fiquei sabendo que era a Mantiqueira,

Que o bondinho de lá é que trazia

Pera e pinhão para vender na feira.

 

E cresci. Viajei. Noutros lugares

Encantei-me com praias e com mares,

Abrindo-me em sincera sintonia.

 

Mas retorno! E em espírito me ajoelho

Ao pôr do Sol, que tinge de vermelho

As nuvens por detrás da serrania...

 

Anamaria Jorio – dezembro/2025

 

 

 

 

sábado, 18 de abril de 2026

A GRAÇA DO MINUTO

 

A GRAÇA DO MINUTO

 

Vê! Quanta beleza, quanta!

Os volteios das ondas,

Os trejeitos do mar

À tua mãozinha de santa.

 

A imensidade do oceano

Na areia brejeira

Tão quentinha de pisar!

Um sol macio que agasalha.

A vida é um deleite,

Um prazer de existir

No teu jeitinho de olhar.

 

Pequenas alegrias de quase nada,

 

Grandes demais dentro da gente.

 

Envolvidos na onda que se alteia,

O mar nos ensina a gostar do calado,

As dulcíssimas emoções do silêncio.

 

O vento cavalga no oceano,

Cavaleiro do ar e do tempo.

 

O mar tem uma grandeza infinita

Onde os olhos de Deus puseram amor

E o azul refletindo a cor do céu.

 

Palas, 21.05.2020.


terça-feira, 14 de abril de 2026

VELHO COFRE

Velho Cofre

Meu coração é um velho cofre usado.
Nele, bem resguardados, meus amores,
Segredos prisioneiros do passado,
Alguns escombros e outros dissabores.

Neste cofre também está velado
Um jardim, seus arbustos, suas flores.
Ó lugar protegido e muito amado,
Onde a infância dispôs as suas cores!

Cofre velho, cansado coração!
As portas desbotadas pelo tempo,
Abriste, desejando ser criança!

E queres demonstrar tua intenção:
Cansaste de chorar e o teu intento
É ser feliz à luz de uma esperança!

Palas,13.05.2020

domingo, 22 de outubro de 2023

Jataí (Jati)






Abelhinha Jataí aboletou-se na tulipa de cerveja. 
Escorregou na loira espumosura de cor dourada, iniciou-se imediatamente num afogamento, porém foi salva através de um guardanapo. 
Bebedamente creu que conseguira safar-se. 
Antes, pernejou ativamente sobre o tampo blanc d’argent. Nem tanto! Espanava as asinhas com lúcida determinação. Salva da morte, a abelhinha remexeu-se toda, permaneceu assim alguns segundos. 
Deus teria enviado uma estrela para guiá-la. 
Em seus lequebros, incoativa, extricou-se de seus entraves. 
Acatitou-se. Voou para longe do perigo.


Palasathenaanamariajorio, 03.04.2016.

domingo, 24 de setembro de 2023

A dor da gente não é publicada em jornal

 A dor não vem publicada nos letreiros do mundo.É dor da gente, somente. Todo o mundo sente dor.  Alguns, menos. Outros, mais.
 Estávamos numa lanchonete ( eu e o Paulo) e uma jovem com uma criancinha ao colo ofereceu-nos trident num cesto de vime. Como não nos manifestamos, ela se afastou. Li naqueles olhos fundos alguma coisa que me fez levantar e ir procurá-la com uns poucos trocados...poucos mas necessários.
  A dor dos outros é nossa também; de certa forma.     Palas Athena

domingo, 18 de março de 2018

À espera dEle



Sentei-me no sofá da sala
E abri a porta
Para esperar o sol
Eu vivo à espera dele

Em meus sonhos
Há sempre um sol
Há luz e calor e doçura
num jardim florido de sol

Mas as horas foram passando
e veio a chuva, quanta chuva!
Que deixa branca a poesia
Que torna escuro o céu
Que emudece a melodia
Dentro do coração

Fechei a porta, então
Tranquei a janela
Guardei a felicidade dentro de um livro
Vou esperar pela segunda-feira
Que não deve tardar
Será que verei o sol?

Palasathenaanamariajorio, 25.02.2018.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Despedida do Rei






O verão nos empurra
nestas deliciosas vadiações do espírito.
Miríades de reflexos
na efervescência do sol.
Sonho e realidade.
A quem não foi dado sonhar,
imagino que não reste mais nada a fazer.
Busco luzes.
Fogos fátuos de uma felicidade
inventada no verão.


Palasathenaanamariajorio, 07.03.2018


    11.03.2017 Foto na Beira-Mar , Fortaleza, Ceará. Salve o poeta e escritor José de Alencar
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sábado, 10 de junho de 2017

Prece do Cãozinho




Eu estou tão sozinho
Vem me livrar do abandono
Vem me trazer o sol
Meu coração não tem dono


Vem me aquecer neste outono
Cai a noite e é assim
Essa lua sobre mim
Cai a chuva sobre mim


Minha casa não tem teto
O meu teto tem estrelas
Que me guiam aonde há luz


Tenho fome, tenho frio, tenho sono
Tenho também muito amor
Você não quer ser o meu dono?


Me sinto triste de noite
Atrás da luz que não acho
Sou viajante querendo chegar
Sou um amigo querendo se dar.




(Inspirado em Flávio Venturini-Anjo Azul) Palasathenaanamariajorio,06.06.2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

Chove II




Chove.
Chove lá fora...
chove aqui, dentro. 
Sinto na boca o gosto salgado da chuva
Que não para. 

A noite desdobrando os seus véus no céu,
Se aproxima...
E chove. 

Onde se escondeu o Sol, o soberano,
Com suas reverberações, brilhos de luz?
O Sol, com seus orvalhos de ouro, que esplende
E nos cega de felicidade? 

Mas chove.
Meu coração, empedernido, espera
Um Sol que, hoje, não vai aparecer. 
Quem sabe, amanhã? 

Chove, ainda chove
De um jeito de não acabar nunca.



Palasathenaanamariajorio, 18.03.2017.